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Mercado secundário é aposta para novo ciclo do crédito

11/09/2026 - Fonte: Capital Aberto


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O crescimento do crédito privado no Brasil passa pela consolidação de um mercado secundário mais transparente, líquido e com boa precificação dos ativos. 

Esse avanço, considerado mandatório para a próxima etapa de desenvolvimento do setor, ainda exige maior acesso a informações tempestivas e padronizadas sobre as operações, na avaliação de Claudia Bortoletto, diretora de Renda Fixa, Derivativos e Fundos da B3, durante o I Congresso Brasileiro de Crédito Privado, realizado ontem (10), em São Paulo.

A B3 tem este papel de capturar e acompanhar informações atualizadas das operações para suprir a demanda do investidor que precisa saber informações sobre os ativos, se vão ser pagos ou não, ou que eventualmente precisarão ser reestruturados ou reescalonado, ela explicou.

"A correta precificação dos ativos passa pelo acesso a esta informação de forma tempestiva", afirmou Claudia. E, neste ponto, ela avalia que a B3 está reforçando as ações visando captar estas informações, mas isso também depende de um movimento educacional do mercado de forma geral.

Do ponto de vista da infraestrutura, a B3 tem trabalhado para ajudar a fomentar o crescimento do mercado secundário, trazendo mais liquidez, o que deve levar a um ciclo virtuoso do crédito privado e da renda fixa.

Lições atuais

O mercado brasileiro de crédito já passou por diversos ciclos, e ganhou mais tração recentemente com a securitização e os FIDCs, o que resultou em avanços regulatórios e na infraestrutura, destacou Flavia Palacios, CEO da Opea. 

"Hoje, no cenário atual, o alinhamento dos astros pode não ser tão positivo, tanto no Brasil como externo, mas é neste momento que vão ser testados três pilares fundamentais: regulação, infraestrutura e o entendimento sobre este mercado", afirmou Flavia.

Ela ponderou que este é o momento de avaliar a clareza dos contratos firmados no período, o que funcionou, o que falhou e deve ser aperfeiçoado e o que deve ser aprimorado para deixar o mercado preparado para viver uma nova safra positiva no crédito brasileiro. 

O CEO da Oliveira Trust, José Alexandre Freitas, lembrou que neste ano a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) completa 50 anos, período no qual o mercado brasileiro viveu uma série de desafios, mas que se mostrou resiliente. 

"Mar calmo não faz bons marinheiros, e hoje no Brasil temos bons marinheiros", afirmou Freitas ao destacar o efeito desta resiliência adquirida no período.

Ele considera que um dos pontos que está no radar do mercado é avaliação das garantias atreladas a estas emissões. "O tripé da consistência da estrutura, a suficiência e a exequibilidade das garantias vai ser um teste quando se fala na recuperação de créditos", avaliou Freitas. 

Para a CEO da Opea, no período de bonança o que se viu foram estruturas montadas com excesso de garantias. Agora, na prática, será o teste de execução destas garantias, porque mesmo estruturas bem desenhadas podem ser afetadas pelos diferentes entendimentos no sistema judiciário brasileiro ao longo dos processos. 

"O aprendizado agora é entender como foi estruturado e como funciona na vida real", afirma Flavia. Por isso, o que antes era visto como custo, hoje é considerando importante, como a adoção de agentes independentes para acompanhar de perto estas garantias. 

Próximo trilhão

O mercado brasileiro de crédito tem nos FIDCs atualmente o carro-chefe do mercado de crédito brasileiro destacou Lucas Fleury, fundador da CPV Asset. 

Nos EUA, o mercado de capitais já é responsável por 70% de todo o crédito, enquanto no Brasil ocorre justamente o inverso, observou Delano Macêdo, sócio da Solis Investimentos. "Então, para nós, isso fez com que acreditássemos muito no potencial dos FIDCs", afirmou Macêdo. 

Ele destaca que os FIDCs representavam 3% da indústria brasileira de fundos em 2020, e atualmente já beira os 8%. "Isso mostra que a desintermediação financeira é um ponto importante que veio para ficar, sendo uma mudança estrutural", acrescentou. 

Além disso, o mercado ganhou impulso com a publicação da Resolução da CVM 175, que trouxe o público de varejo para este mercado, depois de mais de 25 anos da primeira norma do Conselho Monetário Nacional (CMN) sobre o FIDC, destacou Macêdo.

Segundo ele, a medida gerou um crescimento enorme no mercado, e somente no último ano a quantidade de pessoas físicas que está investindo em quotas de fundos de FIDC, o que é a maioria, cresceu 2,5x. "Então, o advento da pessoa física trouxe um crescimento robusto para o FIDC", afirmou Macêdo. 

O CEO da Solis destacou o avanço dos estudos para a reclassificação dos FIDCs, que vem sendo conduzido dentro da Anbima desde o começo deste ano, que deve permitir uma melhor base de comparação entre os diferentes tipos deste instrumento, como forma de melhorar a qualidade de informação que chega para este investidor. 

O primeiro trilhão do mercado de FIDC foi ajudado muito pelos juros altos no mercado, segundo Macêdo. "O próximo trilhão deverá vir do lastro confiável: quanto mais confiável e comparável a informação, mais ajuda na evolução e ajuda o investidor a olhar com melhores olhos o mercado de capitais", acrescentou.

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